Roberto Klotz

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Que para produzir é essencial ter um prazo para finalizar a tarefa. – Estipule prazos sempre que for escrever um conto uma crônica ou um romance. Você se lembra de que era capaz de produzir um texto em 50 minutos quando o professor de português exigia uma redação?

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Que é necessária uma boa caminhada com os pensamentos no foco do tema, desenvolver a criatividade, imaginar as ações. Antes de digitar procure premeditar a ideia, o roteiro e a estrutura. A partir de um tema, uma palavra, um fechamento, um fato estimule a progressão da ideia com coerência, começo meio e fim.

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Que a coerência é fundamental. – Mesmo se o texto for surreal precisa manter coesão. Antes de sair é preciso estar dentro. Um personagem de boa índole não pode virar assassino de uma hora para outro, no mínimo precisa de uma grande motivação.

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Que a pesquisa evita que escrevamos bobagens. – Consulte livros, pergunte e pesquise na Internet. É mais seguro para criar nomes para personagens, descrever cenários que não conhecemos e até é possível resgatar flashes históricos. Quem sabe você descubra quantas moedas de ouro descansavam na algibeira de Joaquim Silvério dos Reis enquanto outro Joaquim era esgoelado na praça.

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Que ao escrevermos contos ou crônicas devemos manter o tom do início ao fim. – Se a intenção é provocar pavor, piedade, ódio, simpatia… ou seus contrários, a short story não permite alteração de tom sob pena de prejudicar o resultado. Por exemplo, se a intenção é escrever um final cômico para um velório, é necessário dar ao leitor alguma dica prévia que o texto não é sério.

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Que o leitor não gosta de mulher bonita. Mostre. O leitor prefere que seja descrita: “Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.”

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Se você quiser conhecer uma opinião verdadeira sobre seu texto, em vez de perguntar ao amigo se gostou, pergunte do que ele não gostou. Mas ouça e acate (pelo menos no momento) sem se defender, senão jamais ouvirá sinceridade novamente deste leitor.

Roberto Klotz é autor de vários textos publicados nos maiores periódicos de Brasília, conta com duas dezenas de prêmios literários. É palestrante disputado quando o assunto são as short stories. Publicou três livros com contos e crônicas bem-humoradas. Pepino e farofa são aventuras culinárias resultantes de 50 anos de inexperiência no fogão. Quase pisei!, onde o mundo começa a girar quando o protagonista calça o tênis para caminhar. Cara de crachá, onde um funcionário carimba há 35 anos na mesma repartição.

Klotz é membro do Conselho de Cultura da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e um entusiasmado participante do Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados. Saiba mais e acompanhe os trabalhos recentes do Klotz em seu site oficial.

Contribuição originalmente publicada no site Vida de Escritor

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